19 de agosto de 2026
FOLHETIM - LIGA SILVÉRIA DE BEISEBOL
Ano LXXI
Número 1 - 07/01/2007
A pré-temporada começa
repórter: Caroline Souza
Tacos e luvas saem dos armários nesta semana, com as primeiras movimentações nos centros de treinamento das principais equipes da Liga Silvéria de Beisebol. A janela de transferências se abre daqui uma semana, mas os atletas já começam a tirar a preguiça que o recesso de final de ano normalmente trás para todos. Não que se vá condenar nossos amados esportistas por isso, afinal a liga de beisebol profissional estadual é a mais longa e exaustiva do país de longe, tanto na classe feminina quanto na classe masculina. Os quatorze clubes espalhados pelo estado encerraram de vez as atividades da temporada passada apenas às vésperas do Natal, onde disputas acaloradas até a última entrada marcaram praticamente toda a Liga.
Esta é a primeira coluna do ano de 2007 e me permitirei um pouco de informalidade visto que esta é também minha primeira coluna para o Folhetim de Silvéria a respeito desta admirável forma esportiva que é tão cultivada em nosso estado. Meu nome é Caroline Souza, jornalista em seu segundo ano de carreira como redatora e ex-atleta desta mesma Liga, a qual agora irei reportar a todos os nossos leitores cativos. Meu enfoque será na classe feminina, onde tenho mais conhecimento e experiência. Sobre a classe masculina, o mestre Charles Machado seguirá com seus informes tradicionais aos quais tanto recebemos elogios apaixonados.
Como nosso leitor bem sabe, cobrir a Liga Silvéria é um desafio de geografia tanto quanto de conhecimento esportivo. Nosso estado ainda não conta com as sonhadas melhores estradas que tanto recebemos promessas a respeito e sua larga extensão desde a costa até as fronteiras mais interiores do país para o centro da América Latina é bastante ignorada pelos nossos vizinhos, mas algo que jamais desaparece do pensamento silverino. Dessa forma esta reporta que voz escreve preparou-se da melhor maneira, fazendo uma boa revisão no meu 4x4 afim de poder trazer informação obtida in loco em cada uma destas reportagens.
Mas, agora que estamos devidamente apresentados, voltemos às movimentações destes primeiros dias de pré-temporada da Liga.
Na capital, os centros dos Argonautas e do Boa Vitória, como de costume, parecem funcionar em um único relógio e calendário. Ambos os CTs ficam no perímetro urbano, há poucos quilômetros um do outro, enfatizando esta rivalidade que já tem meio século de duração e ambos pareceram despertar de seu sono em uníssono na manhã do dia cinco, quando os primeiros membros de equipes técnicas e preparadores chegaram para começar os planos para estas primeiras semanas de atividade. É preciso lembrar que o Boa Vista teve o desfalque enorme do primeira base Ângelo a menos de duas semanas do final da temporada e os resultados desde então se mostraram claramente diferentes para o conjunto do Boa. Já do lado celeste e branco da rivalidade a grande dúvida é se o contrato do arremessador Cristiano Cruz vai ser renovado. Cristiano está emprestado da base da liga venezuelana há oito meses e se tornou um queridinho da torcida, então as expectativas são grandes para esta renovação. Esse assunto certamente estará nas páginas da coluna do Charles Machado nas próximas semanas, então não deixem de conferir!
Já na classe feminina o que chamou a atenção de maneira gritante logo no primeiro dia de retorno das atletas foi a ausência da DP das Argeonautas, Fernanda. A atleta é extremamente discreta e a única informação que um preparador nos deu ao ser questionado é que ela estaria retornando de viagem para o interior com a família nos próximos dias.
Agora, saindo um pouco da capital, peguei a estrada rumo ao planalto, pois o sucesso estrondoso do time feminino do Esportivo Cascata na última temporada foi retumbante e faz com que naturalmente todas as nossas atenções se voltem para a curiosidade de como será o seguimento desse trabalho tão bem sucedido. Leonora Guimarães, a treinadora considerada o cérebro com total responsabilidade pelo triunfo do time na segunda etapa da temporada passada que levou ao primeiro título da equipe em dez anos nos recebeu para uma rápida entrevista na sala de imprensa do CT do Cascata. Em clima de total informalidade ela comentou brevemente suas expectativas para este ano de 2007. Abaixo transcrevo o áudio desta nossa conversa:
[CAROLINE] Obrigada por nos receber prontamente, Caroline. Imagino que você esteja sendo alvo de muitas perguntas depois de um final de temporada incrível como foi esse do Cascata.
[LEONORA - CASCATA] É um prazer. Você é a redatora nova do Folhetim, não é? Isso, Caroline, claro. Sabe, pode parecer surpreendente, mas foram menos perguntas do que poderia imaginar, então estou toda ouvidos para você. (risos)
[CAROLINE] Que ótimo! (risos)
[CAROLINE] Vamos começar então com o básico: Já caiu a ficha do tamanho do feito de 2006?
[LEONORA - CASCATA] Acho que sim! Na verdade eu não tinha realmente tido tempo para pensar em tudo até o recesso, sabe. Fui pra casa, ficar com os filhos e o marido e então ouvi o tanto de vezes que falaram sobre isso na rádio e tv locais. No mercado, os torcedores do Cascata vieram me elogiar e agradecer. Isso aconteceu todas as vezes que estava pela rua, então me deu a dimensão do quanto realmente significou para a cidade.
[CAROLINE] Os torcedores do Cascata esperavam esse retorno ao título há muito tempo. É um dos clubes mais tradicionais da Liga, então não me admira o tamanho da comoção.
[LEONORA - CASCATA] O beisebol é parte da cultura da nossa cidade. Eu nasci aqui, mesmo tendo morado boa parte da vida longe, então é quase uma reconexão com minhas origens ver tudo isso acontecendo, sabe.
[CAROLINE] Mas, me fala então: 2007 está aqui e toda a explosão do Cascata agora é expectativa para uma temporada estelar. Como você vai preparar as atletas para essa maratona que é a temporada?
[LEONORA - CASCATA] Nosso trabalho segue dois pilares muito fortes: excelência física e disciplina mental. O grupo se tornou vitorioso porque todas se tornaram atletas de mente focada no objetivo. A temporada é longa e exigente, por isso o maior desafio vai ser encontrar o equilíbrio. Se eu exigir demais, as meninas não vão aguentar. Elas não são máquinas, são artistas do jogo. Precisam de descanso e alegria para seguir jogando da maneira bonita que nós vimos nos últimos meses.
[CAROLINE] O jeito que você vê o jogo é mesmo admirável, Leonora. Espero que você e a equipe consigam encontrar esse equilíbrio. Agora, para fechar, o que você gostaria de deixar como sua primeira fala para os torcedores do Cascata para este ano cheio de promessas?
[LEONORA - CASCATA] Aos torcedores eu peço que mantenham os sorrisos no rosto. Não se assustem se tropeçarmos um pouco aqui e ali, pois os ajustes precisam acontecer para manter a saúde do time. Tenham fé e alegria, que este ano o Cascata vai voltar a ser definitivamente o grande clube que a Liga inteira respeita!
[CAROLINE] Tomara! Obrigada pela entrevista.
[LEONORA - CASCATA] Eu que agradeço. Boa volta para Silvéria.
Com essas palavras de confiança e uma boa dose de sensatez, vou encerrando esta primeira coluna. Mas, não se preocupem, torcedores dos outros onze clubes da Liga. Esta repórter que voz escreve irá a cada CT e irá trazer cada detalhe de todas as movimentações que certamente irão acontecer nessas semanas que antecedem os Jogos de Outono da Liga.
Até a próxima edição!